Eles
ainda choram.
E é muito bom que assim seja.
As Lágrimas raramente fazem mal.
São sempre uma catarse,
uma
libertação e
um jeito de dizer que ninguém é
auto–suficiente.
Nesta confissão de fraqueza humana se esconde
um ato
de humildade de quem reconhece que chegou a um
impasse.
E, quando o impasse machuca demais,
os olhos dizem o que
boca não consegue mais dizer.
Há
lágrimas de dor, lágrimas
de amor,
lágrimas de alegria incontida, lágrimas de
tristeza,
lágrimas silenciosas de paz e de ternura,
lágrimas de gratidão por um elogio feito na
hora certa,
lágrimas de esperança, lágrimas
de inocência.
Mas também há lágrimas de vergonha,
de
teimosia, de desafio, de chantagem,
de egoísmo por não haverem conseguido o que
queriam.
E
há quem chore por qualquer coisa e
há quem tenha vergonha de chorar,
sendo que chorar era a única coisa descente
a se fazer.
É
bem provável que haja coisas bem mais
bonitas
do que uma jovem ou um jovem a chorar de
paz.
Mas, depois das sete maravilhas do mundo,
bem que se poderia propor esta como a
oitava:
um monumento ao jovem que ainda chora por
amor
e que ainda não tem vergonha de mostrar
que lá dentro dele habita um sentimento bonito.
Das
coisas mais bonitas que conheço,
uma delas é um sorriso de adolescente e
outra
a lágrima silenciosa de um jovem
que deseja começar de novo...
Fabiano
Claro