| Não há vagas
I
Os jornais anunciaram:
"Nossa poesia agoniza:
Vinícius, a doce brisa,
Acaba de falecer!"
Correram papéis e linhas,
Buscando verbos baratos,
Bueiros soltaram ratos
Que juravam escrever.
Surgiram de todo lado
Os que assinavam "poeta",
E que tinham como meta
Uma vaga a preencher.
II
Vinícius, bom poetinha,
Que falta fazes aqui!
Olha quanto abacaxi
Esforçando-se pra ser...
Pra ser o quanto tu foste
No louco mundo dos versos,
Sem perceberem-se imersos
Na águas do "não saber".
Também sou parte das filas
Pretensiosas, sombrias,
Que olham pra o que escrevias,
Querendo assim escrever.
Olhando a bênção das rimas
Sobre ti tão derramada,
Declaro-me envergonhada
De também quere-la ter.
Silvia Schmidt
*Humancat*
- a quem mais poderia ser? -
(dir.aut.reserv)
* © 1999
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